Sexta-feira Jul 2, 2010

Novos Títulos Minotauro

Neste labirinto que é a literatura, em Julho a Minotauro resgata-o com o fio de mais duas novas narrativas. A não perder.


maos pequenas
As Mãos Pequenas
Andrés Barba

N.º de Páginas - 88
Encadernação - capa dura
PVP - 12 euros
ISBN - 9789724415949
Tradução - Miguel Serras Pereira

Uma menina de sete anos, recém-chegada a um orfanato devido à morte acidental dos seus pais, converte-se para as suas colegas em alguém que é admirado mas também excluído, na pauta que permite medir a vida que não tiveram e o fim do paraíso da inocência. Como na vida, a dor de amar aquilo que não se compreende sobrepõe-se ao sofrimento de não se pertencer ao grupo, até que a imaginação cria estratégias para superar a realidade inventando um jogo. Um jogo que apenas poderá ser jogado a sério, com a violência com que só se joga na infância.

As Mãos Pequenas pode ser enquadrado naquele estrito conjunto de obras como Os Meninos Diabólicos, de Cocteau, ou O Senhor das Moscas, de William Golding: retratos da infância que são simultaneamente perturbadores e comoventes.

Andrés Barba (1975, Madrid) publicou o seu primeiro romance em 2001, La hermana de Katia, finalista do prémio Herralde e aclamado pela crítica e pelo público. Seguiram-se Ahora tocad música de baile, Versiones de Teresa, vencedor do Prémio Torrente Ballester, La recta intención, o ensaio La ceremonia del porno e Las manos pequeñas. É também co-autor, com o pintor Pablo Angulo, de El libro de las caídas.


maos pequenas
Discothèque
Félix Romeo

N.º de Páginas - 224
Encadernação - capa dura
PVP - 18 euros
ISBN - 9789724416250
Tradução - Luís Filipe Sarmento

Discothèque é uma comédia negra e com múltiplas vozes, em que se confundem a sátira dos géneros, o melodrama telenovelesco, os fantasmas de Shakespeare e os conflitos familiares da tragédia clássica.

Um ex-combatente da guerra do Sara Ocidental e o seu filho, Torosantos, que faz dupla artística com Dalila Love num espectáculo erótico que percorre as mais conhecidas discotecas rurais, são os protagonistas deste romance cuja acção decorre no dia e na noite de Reis. Carlitos Seral, um humorista que perdeu a graça e que actua num cabaré decadente; Ana Roche, antiga escritora de romances de amor e que se transformou numa vedeta da indústria pornográfica; Mr. Rule, bisneto de um dos principais divulgadores do protestantismo, que se dedica ao tráfico de compostos terapêuticos; Samblancat, piloto; Mercedes Ibarra, que podia ter sido uma estrela infantil como Rocío Durcal ou Pili y Milli e que agora é a gerente de uma pensão bolorenta; b. n. teach, especialista em Miguel de Molinos, um dos místicos mais maltratados pela Inquisição; Marcela, rainha de um peep show na província… eis alguns dos personagens secundários deste romance sombrio e divertidíssimo.

Discothèque, o segundo romance de Félix Romeo, é o futuro imediato, o passado e um presente cujos limites se confundem.

Félix Romeo (1968, Saragoça) é autor de dois romances: Dibujos Animados e Discothèque. Cumpriu uma pena por delito de insubmissão. É director do programa cultural de televisão La Mandrágora. Ganhou o Prémio Ícaro de Literatura com o romance Dibujos Animados; o júri valorizou «a força narrativa do livro, o seu inteligente sentido de humor e a originalidade das suas propostas».


Sexta-feira Mai 14, 2010

Lançamentos

A Minotauro deu à estampa mais dois títulos de qualidade de autores espanhóis contemporâneos que estiveram em Lisboa, na Livraria Almedina Atrium Saldanha, para os apresentar acompanhados pelo Director Editorial da chancela, Antonio Saez Delgado e pelo Director Editorial de Edições 70, Pedro Bernardo.

Belén Gopegui autora de O Pai da Branca de Neve e Antonio Fontana autor de O Perdão dos Pecados partilharam com os leitores e imprensa portugueses as suas visões dos livros que escreveram e os seus objectivos de escrita num encontro intimista do qual guardamos estas imagens que agora aqui partilhamos.

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A protagonista espera em casa que o estafeta do supermercado lhe traga as compras. O estafeta atrasa-se e ela tem de sair. Quando volta descobre que lhe deixaram as compras em casa de uns vizinhos e que os produtos congelados se tinham estragado. Telefona para o supermercado para reclamar.

No dia seguinte, tocam-lhe à campainha e ao abrir a porta dá de caras com o estafeta do supermercado. O homem diz-lhe que por causa do seu telefonema o despediram. A professora lamenta o incidente, mas o homem insiste: ela é a responsável, deve encontrar-lhe outro emprego.

A partir deste episódio, Belén Gopegui, uma das mais importantes escritoras da nova geração de romancistas espanhóis, tece uma narrativa que nos leva pelo mundo incerto dos limites invisíveis que unem e separam o privado do espaço público.


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O passado não desaparece: espera por nós, disposto a ajustar contas. Pelo que devíamos ter feito e não fizemos, pelo que fizemos e não devíamos ter feito.

De volta à sua aldeia natal, para o enterro da mãe e da irmã, mortas misteriosamente, Ángela, narradora e protagonista, volta ao sítio de onde há muitos anos partiu, num regresso envolto em breves vislumbres do passado, da história da sua família, uma história de amargura.

Numa narrativa cuidadosa e de grande densidade, a culpa, os remorsos e os traumas, sempre presentes, acompanham o leitor.


Sexta-feira Fev 26, 2010

Lançamento dos novos títulos da Minotauro

5.ª feira, 4 de Março, 18h30, Lisboa

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Sexta-feira Set 11, 2009

Sem Necessidade

Julián Rodríguez
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N.º de Páginas - 108
Encadernação - capa dura
PVP - 12 euros
ISBN - 9789724415574
Tradução - Luís Filipe Sarmento

«Na realidade, todas as histórias se sucedem, uma de cada vez, no passado, presente e futuro. Pode até dizer-se que é inevitável. Cada personagem, ao ser “representado”, carrega consigo a consumação do seu passado, a realidade do seu presente e a incerteza do seu futuro»

Leonardo Sciascia

Esta é epítome que abre Sem Necessidade, mas podia ser a súmula de toda a obra. O inominado protagonista desta novela, um homem de meia-idade, ante a morte iminente de um amigo - a quem restam sete dias de vida - decide partir. A sua reacção consistirá em empreender uma viagem sem importância, uma espécie de peregrinação a Portugal, levando como “guia” as velhas fotografias do seu passado em comum numa pequena terra de agricultores, na fronteira. Esta nova viagem significa uma fuga da morte e, ao mesmo tempo, uma espécie de homenagem. Mas será também a viagem de alguém que se quer afastar de um outro passado muito diferente, o dos clubes de golfe e das empresas multimilionárias.


Julián Rodríguez (n. 1968, Ceclavín, Extremadura) publicou o seu primeiro romance Lo improbable em 2001 e em 2002 uma compilação de 3 contos, La sombra y la penumbra. O seu segundo romance, Sem necessidade (2006) foi considerado um dos melhores livros do ano pelos críticos do diário El País e recebeu o Premio Ojo Crítico, da Radio Nacional de España.

Em 2004, a par da sua produção como romancista iniciou um ciclo de obras de não-ficção, entre a autobiografia e o ensaio, a que chamou «Piezas de resistencia»: o primeiro título deste ciclo foi Unas vacaciones baratas en la miseria de los démas, que recebeu o Prémio Novos Talentos Fnac; seguiu-se Cultivos (2008).

Julian Rodriguez é também director literário da editora Periférica, reputada pela sua irrepreensível edição de clássicos da literatura.


Sexta-feira Set 11, 2009

Crematório

Rafael Chirbes
crematorio N.º de Páginas - 424

Encadernação - Capa Dura

PVP - 23 euros

ISBN - 9789724415482

Tradução - Miguel Serras Pereira

A morte de Matías Bertomeu, um ideólogo romântico que trocou a revolução pela agricultura biológica, é o epicentro do romance, em torno do qual surge um fresco de personagens surpreendente que, ao recordarem a sua relação com o morto, revelam também a sua vida.

Através de Rubén, assistimos à reconstrução da história individual das várias personagens, numa narrativa que as entretece com o pesadelo urbanístico da costa levantina espanhola. Através da caracterização das personagens, o autor traça-nos um quadro tão deslumbrante como terrível: a família como forma de exercício dos valores da propriedade, a especulação imobiliária, o dinheiro e os negócios sujos, o tráfico de capitais, a droga e o sexo, moedas de troca e tábua de salvação, a corrupção que mina toda uma sociedade.

Com a descrição da destruição da paisagem, apresenta-nos uma metáfora; a perversão humana e a sua influência corruptora, seja da paisagem seja do carácter.


Rafael Chirbes nasceu em Tabernes (Valência), em 1949. Depois de acabar os seus estudos superiores em História Moderna, em Madrid, começou a fazer crítica literária e de cinema; a par desta actividade, fez algumas reportagens para vários jornais. Durante alguns anos viveu em França, em Paris, e depois em Marrocos.

O seu primeiro romance, Mimoun, foi finalista do prestigiado Prémio Herralde, e com La Larga Marcha (1996) obteve na Alemanha - onde é considerado autor de culto - o Prémio SWR Bestenliste. Este romance foi o primeiro de uma trilogia que retrata a sociedade espanhola do pós-guerra até à transição para a democracia; La caída de Madrid (2000) e Los viejos amigos (2003) completam a trilogia. Crematório, um retrato ácido da especulação imobiliária, foi galardoado com o Prémio Nacional de la Crítica.

Para além do seu trabalho de escritor, Rafael Chirbes escreve reportagens de viagens para uma revista gourmet. Vive entre Valência e Alicante.


Sexta-feira Set 11, 2009

Bingo!

Esther Tusquets

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N.º de Páginas- 136
Encadernação - Capa Dura
PVP - 12 euros
ISBN - 9789724414478
Tradução - Luís Filipe Sarmento

O protagonista, à beira de fazer sessenta anos, está casado com uma mulher por quem nunca esteve verdadeiramente apaixonado. Talvez por isso, a sua vida foi - e é - sossegada, repleta de prazeres contidos e equilibrados. Porém, há uns meses que deixou de desejar. De forma gradual e inexplicável, as viagens, a música - até as mulheres -, tudo aquilo que lhe dava mais prazer começou a ser-lhe indiferente.

Para ele, a velhice seria a exasperação de desejar e de não ter forças para o conseguir, não este prolongado vazio - o médico dá-lhe mais trinta anos de vida - sem gozo nem dor. Um dia, ao tentar escapar do sol e dos primeiros calores, e da azáfama da vida, entra num Bingo.

É aí que conhece Rosa, uma bela jogadora de Bingo, já madura na idade, junto de quem recupera a vitalidade.

Rosa será o seu guia num novo mundo, que lhe dará uma segunda oportunidade.


Esther Tusquets (n. 1936) cursou Filosofia e Letras nas universidades de Barcelona e Madrid e dirigiu durante quatro décadas a Editora Lumen. Publicou uma célebre trilogia, formada por El mismo mar de todos los veranos, El amor es juego solitario (Prémio Ciudad de Barcelona 1979) e Varada trás el último naufrágio. É a autora, também, de Para no volver, Con la miel en los labios, Correspondencia privada e Bingo!, todos publicados na editora Anagrama. Na editora que fundou em conjunto com a filha Milena Tusquets publicou Memorias de una editora poco mentirosa e Prefiero ser mujer.


Sexta-feira Set 11, 2009

Contra-natura

Álvaro Pombo

contra-natura

N.º de Páginas - 576
Encadernação – capa dura
PVP- 24 euros
ISBN- 9789724414461
Tradução – Miguel Serras Pereira

Javier Salazar, um brilhante editor aposentado, leva uma existência confortável no seu apartamento de Madrid, chegado a uma idade em que se dá por satisfeito por finalmente a vida lhe ter sido graciosa… Até que, uma tarde, interrompe as suas leituras para dar um passeio pelo parque. Aí conhece o jovem Ramón Durán, com quem troca alguns gracejos e conversa.

O começo da relação entre ambos dará início a uma série de preocupações que, lentamente, se vão insinuando na consciência de Salazar: uma consciência atormentada, reservada, ambígua. Quando reaparece Juanjo, um antigo professor de Ramón Durán, a relação torna-se um perigoso vórtice que os envolve.


Álvaro Pombo (n. 1939) licenciou-se em Filosofia e Letras na Universidade de Madrid e tem um bacharelato também em Filosofia pelo Birkbeck College de Londres. Viveu onze anos em Inglaterra, de 1966 a 1977. Para além dos seus livros de poesia, entre eles Variaciones (1977), prémio de poesia El Bardo, a sua vasta obra narrativa consagrou-o como um dos grandes autores da literatura espanhola contemporânea. Como contista, destacam-se Relatos sobre la falta de sustancia e Cuentos reciclados. Publicou uma colectânea de artigos, Alrededores, e vários romances, entre os quais El héroe de las mansardas de Mansard (Prémio Herralde 1983), El hijo adoptivo, El parecido, Los delitos insignificantes, El metro de platino iridiado (Prémio Nacional de la Crítica, 1991), Aparicion del eterno femenino contada por S.M el Rey (Prémio Nacional de Narrativa, finalista do Prémio Europeu de Literatura Aristeion, Prémio Ciudad de Barcelona), La quadratura del circulo (Prémio Fastenrath da Real Academia Espanhola), El Cielo Raso (Prémio da Fundação Lara para o melhor romance em castelhano publicado em 2001, atribuído por um júri composto por onze editoras) Una ventana al norte e Contra-Natura. É membro da Real Academia Espanhola desde Dezembro de 2003.