


O nome da chancela deve ser lido em estreita associação com a sua epígrafe – «No labirinto da literatura, somos resgatados pelo fio da narrativa», que figura na obra De asterionis fabula, de autor anónimo – e com o conceito que está na base do projecto.
Tendo como base o mito grego do Minotauro, a chancela pretende ser o fio de Ariadne que orientará o leitor – que fará aqui de Teseu – pelo vasto universo labiríntico da produção literária espanhola. Por outro lado, remete para um mito de uma civilização que é, ainda, a matriz fundadora da nossa cultura.

Num pequeno excurso, viajemos até Creta, berço do mito do Minotauro. Na antiga cultura micénica, a figura do touro estava profusamente representada e este animal era objecto de um culto difundido por toda a ilha, como atestam, por exemplo, as suas muitas representações no palácio de Cnossos, morada do lendário rei Minos.
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Fotos: Yannis Yannelos, Kostas Adam
Com apresentação pública no passado dia 8 de Outubro, o projecto editorial Minotauro tem suscitado amplo interesse, tanto na imprensa como em blogues.
Reproduzimos aqui algumas dessas referências das semanas transactas, com especial destaque para a entrevista de Álvaro Pombo ao Público/Y, a de Esther Tusquets no Expresso/Cartaz, e a de Antonio Sáez Delgado, director editorial e Pedro Bernardo, director de produção, ao Diário Digital.
Entrevista de Esther Tusquets: Expresso - Actual, 17 de Outubro de 2009
Entrevista de Álvaro Pombo: Público/Y, 7 de Outubro de 2009
Entrevista de Antonio Sáez Delgado e Pedro Bernardo: Diário Digital, 14 de Outubro de 2009
Entrevista de Antonio Sáez Delgado: Novos Livros, 14 de Outubro de 2009
Referência, Porta-Livros, 2 de Outubro de 2009
Referência, Diari de Balears, 17 de Outubro de 2009
Referência, Jornal de Notícias, 21 de Outubro de 2009
No passado dia 8 de Outubro, pelas 18h30, foi apresentada a Minotauro, nova chancela de Edições 70, numa sessão que teve lugar no Restaurante do 7.º Piso do El Corte Inglés em Lisboa.
Estiveram presentes Pedro Bernardo pelas edições 70, o director editorial da Minotauro e especialista em literatura espanhola Antonio Sáez Delgado, e os autores Esther Tusquets Rafael Chirbes, para apresentação das suas obras Bingo! e Crematório, respectivamente. A apresentação esteve a cargo do escritor e crítico literário Eduardo Pitta.
Eduardo Pitta enalteceu a característica inovadora de uma colecção em Portugal exclusivamente dedicada a autores espanhóis contemporâneos, tendo Antonio Sáez Delgado reforçado os critérios de exigência e qualidade que balizam a selecção das obras publicadas.
Os autores manifestaram a sua satisfação por verem publicadas as suas obras nesta chancela, que logo observaram ser de qualidade, manifestando ainda o enorme apreço pela cuidada imagem gráfica qualidade de acabamento da colecção, da autoria da FBA, pela mão de João Bicker e Ana Boavida, que desenhou também as ilustrações.







Fotografias: Copyright © Sofia Almeida
A direcção editorial da Minotauro está a cargo de Antonio Sáez Delgado.
Nascido em Cáceres, em 1970, é Doutorado em Filologia Hispânica pela Universidad de Extremadura e Professor Auxiliar do Departamento de Linguística e Literaturas da Universidade de Évora, onde lecciona Literatura Espanhola e Literaturas Ibéricas. Foi Director de Curso da Licenciatura em Estudos Portugueses e Espanhóis e do Curso de Mestrado em Estudos Ibéricos.
Já com várias obras editadas, a sua produção está dispersa por vários géneros, seja a ensaística, a poesia, a diarística, antologias ou traduções de diversos escritores portugueses modernos e contemporâneos.
A sua principal área de investigação é o estudo das relações e pontos de contacto existentes entre os escritores de Portugal e Espanha nas primeiras décadas do Século XX.
É colaborador habitual de Babelia, Suplemento Cultural do Jornal El Pais, e actualmente é Presidente da Associação de Escritores da Extremadura espanhola.
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N.º de Páginas - 108 Encadernação - capa dura PVP - 12 euros ISBN - 9789724415574 Tradução - Luís Filipe Sarmento |
«Na realidade, todas as histórias se sucedem, uma de cada vez, no passado, presente e futuro. Pode até dizer-se que é inevitável. Cada personagem, ao ser “representado”, carrega consigo a consumação do seu passado, a realidade do seu presente e a incerteza do seu futuro»
Leonardo Sciascia
Esta é epítome que abre Sem Necessidade, mas podia ser a súmula de toda a obra. O inominado protagonista desta novela, um homem de meia-idade, ante a morte iminente de um amigo - a quem restam sete dias de vida - decide partir. A sua reacção consistirá em empreender uma viagem sem importância, uma espécie de peregrinação a Portugal, levando como “guia” as velhas fotografias do seu passado em comum numa pequena terra de agricultores, na fronteira. Esta nova viagem significa uma fuga da morte e, ao mesmo tempo, uma espécie de homenagem. Mas será também a viagem de alguém que se quer afastar de um outro passado muito diferente, o dos clubes de golfe e das empresas multimilionárias.
Em 2004, a par da sua produção como romancista iniciou um ciclo de obras de não-ficção, entre a autobiografia e o ensaio, a que chamou «Piezas de resistencia»: o primeiro título deste ciclo foi Unas vacaciones baratas en la miseria de los démas, que recebeu o Prémio Novos Talentos Fnac; seguiu-se Cultivos (2008).
Julian Rodriguez é também director literário da editora Periférica, reputada pela sua irrepreensível edição de clássicos da literatura.
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N.º de Páginas - 424
Encadernação - Capa Dura PVP - 23 euros ISBN - 9789724415482 Tradução - Miguel Serras Pereira |
A morte de Matías Bertomeu, um ideólogo romântico que trocou a revolução pela agricultura biológica, é o epicentro do romance, em torno do qual surge um fresco de personagens surpreendente que, ao recordarem a sua relação com o morto, revelam também a sua vida.
Através de Rubén, assistimos à reconstrução da história individual das várias personagens, numa narrativa que as entretece com o pesadelo urbanístico da costa levantina espanhola. Através da caracterização das personagens, o autor traça-nos um quadro tão deslumbrante como terrível: a família como forma de exercício dos valores da propriedade, a especulação imobiliária, o dinheiro e os negócios sujos, o tráfico de capitais, a droga e o sexo, moedas de troca e tábua de salvação, a corrupção que mina toda uma sociedade.
Com a descrição da destruição da paisagem, apresenta-nos uma metáfora; a perversão humana e a sua influência corruptora, seja da paisagem seja do carácter.
O seu primeiro romance, Mimoun, foi finalista do prestigiado Prémio Herralde, e com La Larga Marcha (1996) obteve na Alemanha - onde é considerado autor de culto - o Prémio SWR Bestenliste. Este romance foi o primeiro de uma trilogia que retrata a sociedade espanhola do pós-guerra até à transição para a democracia; La caída de Madrid (2000) e Los viejos amigos (2003) completam a trilogia. Crematório, um retrato ácido da especulação imobiliária, foi galardoado com o Prémio Nacional de la Crítica.
Para além do seu trabalho de escritor, Rafael Chirbes escreve reportagens de viagens para uma revista gourmet. Vive entre Valência e Alicante.
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N.º de Páginas- 136 Encadernação - Capa Dura PVP - 12 euros ISBN - 9789724414478 Tradução - Luís Filipe Sarmento |
O protagonista, à beira de fazer sessenta anos, está casado com uma mulher por quem nunca esteve verdadeiramente apaixonado. Talvez por isso, a sua vida foi - e é - sossegada, repleta de prazeres contidos e equilibrados. Porém, há uns meses que deixou de desejar. De forma gradual e inexplicável, as viagens, a música - até as mulheres -, tudo aquilo que lhe dava mais prazer começou a ser-lhe indiferente.
Para ele, a velhice seria a exasperação de desejar e de não ter forças para o conseguir, não este prolongado vazio - o médico dá-lhe mais trinta anos de vida - sem gozo nem dor. Um dia, ao tentar escapar do sol e dos primeiros calores, e da azáfama da vida, entra num Bingo.
É aí que conhece Rosa, uma bela jogadora de Bingo, já madura na idade, junto de quem recupera a vitalidade.
Rosa será o seu guia num novo mundo, que lhe dará uma segunda oportunidade.
| N.º de Páginas - 576 Encadernação – capa dura PVP- 24 euros ISBN- 9789724414461 Tradução – Miguel Serras Pereira
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Javier Salazar, um brilhante editor aposentado, leva uma existência confortável no seu apartamento de Madrid, chegado a uma idade em que se dá por satisfeito por finalmente a vida lhe ter sido graciosa… Até que, uma tarde, interrompe as suas leituras para dar um passeio pelo parque. Aí conhece o jovem Ramón Durán, com quem troca alguns gracejos e conversa.
O começo da relação entre ambos dará início a uma série de preocupações que, lentamente, se vão insinuando na consciência de Salazar: uma consciência atormentada, reservada, ambígua. Quando reaparece Juanjo, um antigo professor de Ramón Durán, a relação torna-se um perigoso vórtice que os envolve.
Este é o post inaugural do blogue «Minotauro», onde os interessados poderão aceder para consultar notícias sobre o novo projecto editorial de Edições 70, cuja breve definição emoldura o blogue. Aqui encontrará informações sobre as obras, os autores, sinopses e outras notícias, algumas vezes apenas vaga e difusamente relacionadas com o projecto, numa associação livre de ideias. O universo literário é tão vasto e labiríntico que o leitor nele facilmente se perde; se assim for, e como reza a epígrafe, pode ser sempre resgatado; e este ponto virtual funcionará como fio de Ariadne. Bem-vindo.